Entradas com Etiqueta ‘Portugal’

99500 euros por um site em Drupal?

Segunda-feira, 30 de Novembro, 2009

Notícia aqui.

Centenário da República

Valores vistos aqui.

Além do preço espatafúrdio (500-1000 euros são valores normais para um site deste tipo), do uso tanto de software open source grátis como de um theme também grátis1 e do facto de não ter havido concurso, chamo também a atenção para o prazo: 120 dias. 4 meses.

Centenário da República

Eu — que não sou programador nem designer — acredito que fazia aquilo em menos de uma semana (instalar o Drupal, instalar o theme, mudar cores aqui e ali, pôr as imagens que já me teriam dado, criar utilizadores e permissões para quem vai tratar dos conteúdos). Talvez até menos.

Ponho agora a questão: alguém vai pagar por isto (além dos contribuintes, naturalmente)?

  1. o problema não é fazer uso desse software, até apoio que tal seja feito (é bem melhor do que dar dinheiro à Microsoft ou à Oracle para obter resultados muitas vezes inferiores); simplesmente, desta forma não há realmente qualquer justificação — mesmo que má e estúpida, como “custos de licenças de software” — para um valor deste tipo. []

Lógica à Portuguesa

Quarta-feira, 29 de Agosto, 2007

Pensem numa auto-estrada cujo limite de velocidade é 120.

Certo dia, um maluco vai nessa estrada a 200, e provoca um acidente com vários carros, incluindo uma carrinha cheia de crianças (para os media pegarem a sério na história). Celebridades e políticos são entrevistados, bem como pessoas comuns na rua, e o consenso geral aponta para uma medida: reduzir os limites de velocidade, para os carros andarem mais devagar e haver menos acidentes.

Pergunta: baixar o limite dessa estrada de 120 para 100 (quando o acidente foi provocado por alguém a 200), ou mesmo 80, vai de alguma forma torná-la mais segura?

É claro que não!… e nem vos vou insultar explicando-vos o porquê. Mas o português típico parece achar que sim, e ainda vive na ilusão parva de que reduzir os limites de velocidade (que já são baixos) contribui para a diminuição dos acidentes.

Newsflash: o que causa acidentes não é andar-se a 120 numa recta com 3 faixas para cada lado e separador central. É, sim, a falta de civismo (“não vou deixar este passar”), de maturidade, de habilidade (ainda acho que nem toda a gente tem a coordenação necessária para conduzir um automóvel, e as aulas de condução deviam filtrar quem não a tem, em vez de terem medo de acusações de “elitismo”)… e, sim, aqueles que andam a 200 ou mais, e muitas vezes a fazer “habiildades de circo”, a exibir o seu tuning, e alcoolizados (e refiro-me a alcoolizados a sério, não apenas a ter bebido uma cerveja).

Os actuais radares em Lisboa são nojentos. Os limites são absurdamente baixos (50 km/h no prolongamento da Av. Estados Unidos, que tem 2 faixas para cada lado? nota-se que esta gente anda de limusina, e não tem qualquer noção…), a tolerância é quase inexistente, os lucros das multas têm sido brutais (o que é uma forma de roubar as pessoas — porque não reduzirem para 20 km/h, e facturar ainda mais?).

O triste disto tudo é que, se alguém se queixa, vêm logo as tias (que não conduzem) guinchar “ah, tu queres é andar a fazer fórmula 1”. Não. Não quero anular os limites, quero é que eles sejam razoáveis e façam sentido, em vez de serem arbitrários, de forma a multar o maior número de gente possível. Quero que a polícia volte a fazer o seu trabalho e vá atrás de quem realmente põe os outros em perigo, em vez de multarem (agora até de forma automática!) quem passa de um limite definido arbitrariamente por algum burocrata ou político que obviamente não conduz o seu próprio carro e nem tem noção do que é andar a 50 km/h.

Quero que as estradas portuguesas sejam seguras porque os condutores sem civismo são punidos, não porque elas se transformam num estado policial em que uma pessoa até começa a ter medo de circular.

E fico-me por aqui. Discordem à vontade, dando as vossas razões, mas acusações de “só queres andar a fazer rali” e “por causa de gente como tu é que morre tanta gente na estrada”, que demonstram claramente que não leram o post, serão apagadas. Já tolerei isso noutro post há meses, e não foi nada boa ideia.

Multados por cumprir a lei? Os ridículos limites de velocidade

Quinta-feira, 4 de Janeiro, 2007

Há anos (basicamente, desde que comecei a conduzir) que digo que os limites de velocidades em Portugal são absolutamente ridículos, e que toda a gente é obrigada a desrespeitá-los, caso contrário o trânsito não andava. Que esses limites foram calculados há décadas, quando os carros eram muito menos seguros, era muito mais fácil (ou pelo menos mais barato) tirar a carta, e que são, de qualquer forma, “estimativas conservadoras” para abranger tanto os bons condutores como aqueles que nunca na vida se deviam aproximar de um volante (então porque é que os deixam conduzir?).

Existem sítios em Lisboa, por exemplo, que são rectas enormes, com 3 faixas para cada lado, e separadas no meio por uma barreira. O limite? 50 km/h. Alguém anda a essa velocidade? Uma vez experimentei, e parecia que estava parado em relação aos outros carros. No entanto, a polícia pode (e às vezes fá-lo) multar quem quiser… o limite é tão ridiculamente baixo que ninguém o segue, obviamente, logo 100% dos condutores ali está a quebrar a lei.

Bem, um tipo no Canadá obviamente concorda comigo, e fez uma experiência: ele e um amigo andaram, durante algum tempo, numa auto-estrada com 2 faixas para cada lado, lado a lado, exactamente no limite de velocidade.

O resultado? Provocaram uma fila enorme atrás deles, e foram multados… por cumprir a lei!

Obviamente, o que eles quiseram com isto foi sensibilizar as pessoas para como os limites são estupidamente baixos… mas não, as reacções continuam a ser “queres é conduzir à maluca”, “se os limites subirem, vai haver mais acidentes”, e parvoíces semelhantes. Porque as pessoas são incapazes de pensar e argumentar… e por isso fazem apelos idiotas para a emoção (“pensem nas criancinhas!!!”).