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Aborto: a vingança parte II

Quarta-feira, 31 de Janeiro, 2007

(ei, já vi títulos piores!)

Nota: o seguinte é adaptado e um pouco expandido de um comentário que fiz no blog do Mário Lopes. Uma boa parte do que se segue já foi dito noutros posts, recentemente, aqui, mas não exactamente por estas palavras… e nem tudo é repetido.

Tento, também, responder, finalmente, à questão do Samuel: “O que é que é um ser humano? Quando é que um feto se torna um ser humano?”, se bem que o comentário-tornado-post, em geral, não foi escrito para responder a essa questão, mas sim ao tal post do Mário Lopes. Daí ser expandido, e não copiado. 🙂

Without further ado…

(mais…)

Aborto: Resposta ao Sérgio, e desabafo

Quarta-feira, 24 de Janeiro, 2007

Comecei a escrever um comentário, mas ficou grande, e acho melhor que seja um post completo.

O teu post não é sobre o sofrimento. O teu post é que é um insulto a todas as pessoas que têm uma opinião diferente da tua. Tu generalizas e achas que todos os que vão votar não são retrógados religiosos. Dessa forma eu nunca poderei discutir o assunto contigo.

E acho piada que como eu acusei o teu post, tu assumiste imediatamente que eu era um dos do ‘não’. Eu nunca manifestei aqui a minha opinião sobre o aborto, apenas sobre a forma como tu abordas o tema que é com palas nos olhos. Aliás acho que tens vindo a colocar cada vez as palas mais apertadas.. O meu interesse neste blog desapareceu… ainda tinha alguma esperança, mas acho que se foi mesmo.

é menos uma feed no leitor.

Sérgio: não sei se ainda lerás isto, mas é uma pena. De qualquer forma, no outro post dos limites de velocidade, demonstraste que não lês os posts, já que tiraste uma conclusão completamente diferente do que eu escrevi, e acusaste-me de ter como único objectivo subir os limites de velocidade para poder andar aí como um louco a atropelar pessoas e provocar acidentes. Alguém que conclui isso 1) não leu nada do que escrevi, como disse, e 2) tem mesmo — sem me conhecer de lado nenhum — uma opinião muito baixa (e insultuosa, até) sobre mim.

Quanto ao resto, aquele meu post é sobre o sofrimento, sim. O sofrimento provocado ao longo da história, por causa de preconceitos, mentes fechadas, ignorância, religião, e o separar da moralidade do sofrimento (ou seja, a moralidade é agradar a alguma entidade, e se isso implica o sofrimento de milhões, paciência). Há mal quando essa moralidade leva as pessoas a causar o sofrimento de gerações após gerações. Repugna-me, como já disse várias vezes, essa separação da moralidade e do sofrimento. Repugna-me que alguém se veja como “defensor da vida” mas tenha um conceito tão limitado de “vida” que não tenha problemas em condenar pessoas (mães e filhos) a vidas inteiras de sofrimento — de “morte em vida”. Repugna-me que haja mais dor e agonia causados por estes “defensores da moralidade” do que por quem não se vê como tal — e que ninguém pareça reparar nisso; que ninguém seja capaz de dizer “o rei vai nu” em relação a esses “defensores”, de dizer que a “moralidade” que eles defendem não é realmente moral, que eles não falam pelo resto da humanidade.

Não sou relativista. Não vejo tudo na vida como uma simples “diferença de opinião”, em que uma é tão válida como a outra. Se uns querem aliviar o sofrimento e os outros o criam, sem terem nenhum problema com isso, não vou dizer que a moralidade de ambos é igualmente válida.

Ao fazer isto, sou “agressivo”, “insulto as opiniões dos outros”, e “tenho palas nos olhos”. Porque não devia importar-me e deixar que isto me afecte. E porque devia ser relativista, e não julgar, em vez de afirmar que há um lado certo e um lado errado.

Mas não sou assim. Se é alguém assim que querem, realmente estão no blog errado. Sorry.

Mais aborto… agora, outras opiniões

Terça-feira, 23 de Janeiro, 2007

Do meu lado, acho que não vou acrescentar muito mais à questão. Já fui insultado por ter a minha opinião, por ter pensado nela, e por estar certo da mesma, quando hoje em dia é considerado “arrogante” ter uma opinão forte baseada no pensamento; só se aceita uma opinião forte baseada em emoções. Ou em autoridade, ou em religião, ou… Bah.

De qualquer forma, se alguém quiser comentar os meus posts anteriores, e, para variar, quiser responder ao que eu escrevi (em vez de se limitar a dizer que “sou muito agressivo”), tal será apreciado.

Neste post, vou apenas mencionar o que outros disseram (fora deste blog) sobre esta questão.

Primeiro, um post da namorada, chamado A Interrupção Voluntária da Gravidez…. É um bocado mais detalhado do que os meus, e acho que mostra bem os dois lados da questão. Vá, leiam e comentem. 🙂 Inclui argumentos como este:

Para quem não sabe, até às 10 semanas há muitas mulheres que nem têm uma gravidez confirmada e que têm aborto espontâneo sem que soubessem que estavam grávidas. O próprio corpo se encarrega de “expulsar” fetos com problemas graves, é parte da “selecção natural” de Darwin, a não-sobrevivência dos fracos, dos inviáveis.

Logo, segundo a moralidade dos “nãos” (que confundem um ser humano com um aglomerado de células que é um potencial ser humano), quase todas as mulheres com vida sexual são “mass murderers” e nem o sabem…

Depois, quero mostrar um post que considero ser totalmente ridículo. Vem de um partido americano, “America First Party”, que é basicamente mais republicano do que os Republicanos. O post chama-se… wait for it… Abortion Leads to Nuclear War. Sim, parece que a Madre Teresa (que pode ter sido muitas coisas, mas não era, de certeza, uma pessoa inteligente ou culta – ou então era muito mentirosa, porque sem dúvida dizia grandes disparates) disse algo desse género, e os fanáticos de todo o mundo pegam nisso. Portanto, já sabem – não querem ver cogumelos enormes no horizonte, não abortem. Ah, e…

It is abhorrent that abortion supporters choose to hide behind the term ‘choice’ to mask their goal of destroying unborn children and promoting immoral behavior without responsibility

Destruir crianças! Que horror! Que tipo de monstro desumano e cruel quereria alguma vez fazer tal acto hediondo? 😯

É claro que as coisas não são bem assim. Sugiro-vos esta alternativa… deixem se ser um aglomerado irracional e disforme de emoções, e sejam humanos: pensem um pouco. Como este post, em resposta ao comunicado anterior, diz,

nuclear bombs have been used once in war, and I seriously doubt the bombing of Hiroshima and Nagasaki had anything to do with abortion, considering it wasn’t legal in the US in 1945.

E, em resposta à idiotice de “destruir crianças” citada anteriormente,

Let me tell you right now, no one wants to destroy children. It’s just that sometimes an abortion is the only option a mother may have to keep from ruining her life or the lives of her future children. Life is not always fair or simple. That’s the way it is. I wish we could all live in a dream world of magic, but we don’t, and trying to legislate it into reality won’t make it so.

Não teria dito melhor.

Aborto e sofrimento

Quinta-feira, 18 de Janeiro, 2007

Em resposta aos vários comentários em Aborto e Controlo:

Um feto não é um ser humano, é um potencial ser humano. Pô-lo acima de um ser humano VIVO, que pensa e sente, é absurdo.

E é curioso que já mencionei isso no outro post várias vezes, mas nenhum dos pró-nãos comenta: e a questão do sofrimento? A questão de estarem a condenar, muitas vezes, tanto a mãe como a eventual criança a uma vida de dor, sofrimento e tristeza? Isso não vos incomoda, pois não? Serem “protectores da vida” faz-vos sentir muito heróicos, muito morais, e estão-se nas tintas para o resto.

“Vida” é muito mais do que um coração estar a bombear sangue. Mas para vocês, só isso é que conta.

Mais uma vez: não querem abortar? Não abortem. Mas deixem os outros em paz.

Gente como vocês já atrasou a medicina em séculos, por fazer com que autópsias fossem tabu. Já atrasou a ciência em séculos, por perseguir cientistas que afirmavam coisas contrárias à posição da igreja.

Gente como vocês tentou impedir o fim da escravatura há alguns séculos, porque na Bíblia esta é aceite como algo normal. Tentou impedir o uso de anestesia no parto, porque a dor do mesmo era suposto ser o castigo de Deus a Eva e descendentes.

Gente como vocês tem feito com que gerações após gerações, em países mais pobres, vivam em fome e miséria, devido à condenação do uso de contraceptivos. Tem impedido que se cure doenças como a de Parkinson, porque isso envolve tipos de pesquisa que ofendem as vossas susceptibilidades.

E agora não têm nenhum problema em condenar mulheres e crianças a vidas inteiras de sofrimento, só por causa de “slogans” retrógrados que têm nas cabecinhas sem realmente terem alguma vez pensado no assunto.

A sério, deixem o mundo em paz. Já provocaram mal que chegue.

Multados por cumprir a lei? Os ridículos limites de velocidade

Quinta-feira, 4 de Janeiro, 2007

Há anos (basicamente, desde que comecei a conduzir) que digo que os limites de velocidades em Portugal são absolutamente ridículos, e que toda a gente é obrigada a desrespeitá-los, caso contrário o trânsito não andava. Que esses limites foram calculados há décadas, quando os carros eram muito menos seguros, era muito mais fácil (ou pelo menos mais barato) tirar a carta, e que são, de qualquer forma, “estimativas conservadoras” para abranger tanto os bons condutores como aqueles que nunca na vida se deviam aproximar de um volante (então porque é que os deixam conduzir?).

Existem sítios em Lisboa, por exemplo, que são rectas enormes, com 3 faixas para cada lado, e separadas no meio por uma barreira. O limite? 50 km/h. Alguém anda a essa velocidade? Uma vez experimentei, e parecia que estava parado em relação aos outros carros. No entanto, a polícia pode (e às vezes fá-lo) multar quem quiser… o limite é tão ridiculamente baixo que ninguém o segue, obviamente, logo 100% dos condutores ali está a quebrar a lei.

Bem, um tipo no Canadá obviamente concorda comigo, e fez uma experiência: ele e um amigo andaram, durante algum tempo, numa auto-estrada com 2 faixas para cada lado, lado a lado, exactamente no limite de velocidade.

O resultado? Provocaram uma fila enorme atrás deles, e foram multados… por cumprir a lei!

Obviamente, o que eles quiseram com isto foi sensibilizar as pessoas para como os limites são estupidamente baixos… mas não, as reacções continuam a ser “queres é conduzir à maluca”, “se os limites subirem, vai haver mais acidentes”, e parvoíces semelhantes. Porque as pessoas são incapazes de pensar e argumentar… e por isso fazem apelos idiotas para a emoção (“pensem nas criancinhas!!!”).

O círculo vicioso da televisão

Quinta-feira, 16 de Novembro, 2006

Quem me conhece, sabe que não vejo televisão há anos. Não só pela falta de qualidade e infestação constante de publicidade, mas também porque não gosto de ver coisas (séries, neste caso) a conta-gotas, com intervalos quando eles querem (e não quando eu preciso de ir à casa de banho ou coisa parecida :)), e não tenho pachorra para me lembrar de que o programa X dá à hora Y no dia Z.

Mas sei que estou em relativa minoria, sobretudo em relação aos motivos que não têm a ver com a falta de qualidade. Por outras palavras, sempre que vejo alguém a dizer que vê cada vez menos televisão, é apenas porque os programas, em geral, não prestam. As minhas outras razões, aparentemente, são só minhas. 🙂

Quanto à falta de qualidade em si, ao comentar no blog do Rui Moura, veio-me à cabeça o seguinte: a televisão está (segundo dizem; eu não posso confirmar 🙂 ) cada vez pior porque… está cada vez pior. Ou seja, é um círculo vicioso.

A coisa é mais ou menos assim:

A qualidade dos programas é baixa, o que faz com que quem tem mais miolos vá deixando de ver. Quem é que fica? Quem tem menos miolos. De seguida, os vários canais fazem, naturalmente, pesquisa de mercado, entre quem continua a ver televisão… e o que é que os inquéritos demonstram? Que ninguém vê este ou aquele documentário ou série com interesse que ainda resta, que o que “as audiências” querem é: mais telenovelas, mais “reality shows”, mais futebol, mais sensacionalismo nas notícias, mais coisas “pimba”, mais programas de treta.

Ora, eles seguem o que essa pesquisa indica, fazendo descer ainda mais a qualidade dos programas. Resultado? A “camada de cima” (em termos de inteligência) também já não aguenta, e deixa de ver. Com isso, a média de inteligência desce ainda mais. Adivinhem lá o que é que os próximos inquéritos vão mostrar…

Por outras palavras, é um caso perdido. Quem tem bom gosto vai deixando de ver; quem tem mau gosto e fica, “pede” coisas ainda piores.