Vida, 20060220

Ontem, ao escrever um mail, a linha de pensamento foi para uma área pouco agradável. Já o mencionei abaixo, no post “Disciplina”, mas vai mais longe que isso.

Não é que a minha vida seja “má”, em geral tenho uma vida melhor do que muita gente (aqui entra uma teoria minha: ao contrário da opinião habitual, de que “as pessoas estúpidas é que são felizes”, eu acredito que elas não são propriamente “felizes”, muito pelo contrário – but I digress). Mas não é segredo para ninguém que me conhece que… não tenho a vida que quero. Que não era assim que eu queria estar, e, pior, que não era assim que me imaginava estar aos 31 anos, 5 ou 10 anos atrás.

E, como não sou um colectivista nojento, não vou culpar ninguém. Se o fizesse, estaria a ser desonesto e cobarde, estaria a fugir à responsabilidade que todos temos – e que só nós temos – em relação às nossas próprias vidas. Não, a responsabilidade – não vou usar a palavra “culpa”, que detesto, e que tem sempre uma conotação negativa – é minha e só minha.

Por outras palavras: estou “atrasado”. Desde muito cedo que acreditei que tinha um caminho a percorrer, um “destino” – não propriamente “destiny”, mas mais “destination” – um objectivo a atingir, um sítio onde chegar. E não estou onde queria estar, onde devia estar.

Já não devia ter patrões, já não devia ter problemas financeiros, já não devia ter a casa desarrumada, já devia ter uma segunda casa fora da cidade. Já devia ser, se não “famoso”, pelo menos conhecido nos meus “círculos”. Já devia ter resolvido de uma vez por todas certas dúvidas que ainda persistem. Já devia estar naquela fase em que tudo o que fizesse seria para crescer, e não para subsistir, para sobreviver.

Os blogs são a/uma ideia certa. Mas mesmo isto está a ir muito devagar.

Algo tem de ser feito.

5 Comentários a “Vida, 20060220”

  1. Devia, devia, devia… isso de a tua vida estar nesses moldes da obrigação moral “devia” parece-me tudo menos almejar a felicidade merecida ou até desejada…

  2. Eu sou assim. Não me contento em sobreviver e “deixar andar”.

    Além de que é possível não querer nada, não almejar nada, contentar-me com o que tenho neste momento e “mentalizar-me” para ser feliz assim.

    Talvez isso seja a forma de sobreviver em condições extremas, como numa prisão, ou tendo uma doença que me impeça completamente de mexer. Ajustar todos os meus desejos e sonhos de forma a coincidirem com a situação actual.

    Mas fazer isso quando POSSO fazer alguma coisa para evoluir, para crescer, para dominar o mundo… sei lá, acho isso cobardia e preguiça.

  3. Há bocado fiz o comentário à pressa porque estava mesmo de saída. Voltei porque tinha algo mais a acrescentar. É certo e sabido que todos temos prioridades diferentes na vida, assim como desejos e objectivos diversos. Também acho que em determinadas alturas das nossas vidas as nossas prioridades e desejos alteram-se, tornam-se outras e o que dantes parecia algo premente passa a um lugar secundário ou deixamos sequer de considera-lo como um objectivo a atingir.

    O interessante será notar em que reside a tua felicidade. Numa segunda casa fora de Lisboa? Numa casa arrumada? Se assim é, então concordo contigo cabe-te a ti mexeres-te para o conseguires. Mas se encaras esses desejos ou objectivos como meros deveres (o tal devia ter a casa arrumada…) então perdes o gozo todo à coisa.

    A tua evolução e crescimento possivelmente até passam por outras coisas que não essas que colocas como etapas a atingir. Já te questionaste em relação a isso?

    Acima de tudo faz o que queres, o que desejas de facto. O que te faz feliz. O que te completa. Por arrasto crescerás, evoluirás.

    Disciplina. A tua vida fica a ganhar com isso? Então começa com pequenas alterações. Dou-te um exemplo: queres fazer algum desporto? Não comeces logo com o objectivo megalómano de “teres de” correr todos os dias antes ou depois do trabalho; em vez disso dá um passeio depois do jantar duas vezes por semana; depois disso podes passar a correr todos os sábados (escolhes o horário que te der mais jeito) ou duas ou três vezes por semana. O ideal é encontrares dentro da tua rotina espaço para outras coisas.

    Além de que é possível não querer nada, não almejar nada, contentar-me com o que tenho neste momento e “mentalizar-me” para ser feliz assim.

    Reparaste no contra-senso? Se não se almeja nada, se não se quer nada, não temos de nos mentalizar para ser felizes assim, somos e pronto! 🙂

  4. O interessante será notar em que reside a tua felicidade. Numa segunda casa fora de Lisboa? Numa casa arrumada? Se assim é, então concordo contigo cabe-te a ti mexeres-te para o conseguires. Mas se encaras esses desejos ou objectivos como meros deveres (o tal devia ter a casa arrumada…) então perdes o gozo todo à coisa.

    Não, a minha felicidade não reside nisso. A casa arrumada é um problema a resolver (e, infelizmente, é um problema que não basta resolver uma vez, é preciso continuar a combater a entropia indefinidamente). A segunda casa, sim, seria uma fonte de prazer, conforto e variedade na vida.

    Disciplina. A tua vida fica a ganhar com isso? Então começa com pequenas alterações. Dou-te um exemplo: queres fazer algum desporto? Não comeces logo com o objectivo megalómano de “teres de” correr todos os dias antes ou depois do trabalho; em vez disso dá um passeio depois do jantar duas vezes por semana; depois disso podes passar a correr todos os sábados (escolhes o horário que te der mais jeito) ou duas ou três vezes por semana. O ideal é encontrares dentro da tua rotina espaço para outras coisas.

    Aqui, concordo completamente, e vou tentar pôr em prática algo do género.

    Além de que é possível não querer nada, não almejar nada, contentar-me com o que tenho neste momento e “mentalizar-me” para ser feliz assim.

    Reparaste no contra-senso? Se não se almeja nada, se não se quer nada, não temos de nos mentalizar para ser felizes assim, somos e pronto!

    Não, aqui estás a ver a coisa ao contrário. Para chegar a um estado em que não quisesse nada, teria de me mentalizar, de me esquecer de quem sou, do que sou. É algo que pode ser útil, como disse, nos tais casos extremos, como uma doença que me prende à cama, ou uma cela numa prisão. Mas não “cá fora”.

  5. Keep focused! 😉 Verás que conseguirás o que desejas. Por vezes as coisas custam um pouco mais. É só isso. 🙂